sexta-feira , 17 abril 2026
Início Política De improvável aspirante a líder nacional: a trajetória vitoriosa de José Antonio Kast no Chile
Política

De improvável aspirante a líder nacional: a trajetória vitoriosa de José Antonio Kast no Chile

91

José Antonio Kast, candidato direitista, foi eleito presidente do Chile após uma vitória expressiva sobre a candidata comunista Jeannette Jara no segundo turno das eleições. Jara reconheceu a derrota publicamente em sua conta no Twitter, afirmando que a democracia havia falado e desejando sucesso ao presidente eleito para o bem do país. Essa conquista marca a terceira tentativa de Kast na presidência: em 2017, ele ficou em quarto lugar com apenas 8% dos votos; em 2021, venceu o primeiro turno, mas perdeu para Gabriel Boric no segundo, com 44% contra 56%. Desta vez, apesar de Jara ter liderado o primeiro turno em novembro, Kast obteve a maioria com o apoio de candidatos derrotados como o libertário Johannes Kaiser e a conservadora Evelyn Matthei, consolidando uma vantagem confortável nas pesquisas.

Nascido em Paine, na região metropolitana de Santiago, Kast é o caçula de dez filhos de imigrantes alemães que se mudaram para o Chile após a Segunda Guerra Mundial. Seu pai, Michael Kast, tem sido centro de controvérsias devido a alegações de filiação ao partido nazista em 1942, embora o candidato negue qualquer ligação familiar com o nazismo. Advogado católico e conservador, casado com María Pía Adriasola e pai de nove filhos, Kast é próximo ao movimento Schoenstatt e rejeita o rótulo de extrema-direita. Sua carreira política iniciou na Universidade Católica, onde integrou o Movimento Guild, fundado por Jaime Guzmán, redator da Constituição de 1980 durante o regime de Augusto Pinochet. Kast defendeu aspectos do governo militar, como a transição para a democracia, e seu irmão Miguel ocupou cargos ministeriais na época, o que reaviva memórias dolorosas para vítimas de violações de direitos humanos.

Após se distanciar da União Democrática Independente (UDI) para fundar o Partido Republicano, Kast transformou a direita chilena com uma plataforma que evoca comparações com líderes como Donald Trump, Javier Milei, Nayib Bukele e Viktor Orbán. Ele parabenizou Trump pela vitória em 2024 e elogiou a abordagem de “mão de ferro” de Bukele contra o crime, visitando inclusive a megaprisão em El Salvador. Suas propostas incluem cercas ou valas nas fronteiras com Bolívia e Peru para conter migração ilegal, autodeportações em massa e um ajuste fiscal de US$ 6 bilhões em 18 meses, cortando gastos políticos. Apesar de minimizar temas culturais como oposição ao aborto para atrair votos femininos, Kast mantém convicções conservadoras, como defesa da vida desde a concepção, e evita questionar o sistema eleitoral, diferentemente de aliados como Bolsonaro.

Analistas como Robert Funk, da Universidade do Chile, descrevem Kast como representante de uma direita nacionalista populista, alinhada a modelos globais, mas adaptada ao contexto chileno, onde sugestões antidemocráticas seriam impopulares. Sua vitória reflete preocupações com segurança e migração, temas centrais nas pesquisas, e sinaliza uma guinada à direita após derrotas recentes, como a rejeição da reforma constitucional em 2023.

Conteúdo relacionado

Celina Leão visita obras de abastecimento de água no DF para evitar racionamentos

Em meio a preocupações persistentes com a escassez de água no Distrito...

Câmara do DF aprova revogação de lei para regularizar Assentamento José Wilker em Sobradinho Mogi

A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou, na terça-feira (14/04/2026), o Projeto...

Governadora Celina Leão celebra formatura de 580 alunos no QualificaDF Móvel no Paranoá

No Paranoá, Distrito Federal, 580 alunos se formaram na quarta etapa do...

Câmara do DF aprova projeto contra exclusão de idosos no trabalho, mas eficácia é questionada

Em uma decisão que destaca as persistentes barreiras enfrentadas por idosos no...