terça-feira , 2 junho 2026
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Pastor condenado por explorar fé de seguidora em Brasília desperta debate sobre abusos espirituais

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O pastor Marcos Túlio Galdino, de 38 anos, foi condenado pela Justiça do Distrito Federal a indenizar uma fiel de Brasília em R$ 4 mil por danos morais e materiais, além de devolver R$ 930 obtidos por meio de um suposto golpe espiritual. Conhecido como líder do “Ministério Marco Túlio”, com mais de 24 mil seguidores no Instagram e 3 mil inscritos no YouTube, Galdino ganhou notoriedade por profecias dirigidas a fiéis durante cultos e lives. A vítima alega que o pastor utilizou sua influência religiosa para coagir doações financeiras, valendo-se de mensagens diretas e visões espirituais para pressioná-la.

De acordo com o relato da fiel, em 27 de março deste ano, durante uma transmissão ao vivo, Galdino mencionou seu nome e solicitou contato posterior. Na conversa, ele afirmou que Deus determinava um “propósito” no valor de R$ 777, o que a vítima inicialmente interpretou como R$ 277 e completou com um Pix de R$ 500. Dois dias depois, o pastor enviou nova mensagem, descrevendo uma visão em que a filha da vítima seria enterrada, exigindo mais um “voto financeiro” de R$ 344, reduzido para R$ 153 após insistência. Pressionada, a fiel realizou as transferências, totalizando R$ 930. Ao descobrir uma reportagem sobre caso semelhante envolvendo o mesmo valor, ela percebeu o golpe e denunciou à 17ª Delegacia de Polícia em Taguatinga Norte.

A decisão inicial de primeira instância reconheceu o estelionato, determinando a devolução do dinheiro e R$ 1 mil em danos morais, com base no Código Civil que condena o abuso da fé para fraude. A autora recorreu, e a 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais majorou a indenização para R$ 4 mil, destacando a reprovabilidade da conduta do réu, que explorou a vulnerabilidade psicológica da vítima com profecias catastróficas para obter vantagem financeira. O colegiado enfatizou que o ato atingiu a honra subjetiva da autora.

Em resposta, o pastor Marcos Túlio afirmou que se tratava de um “desafio de fé” voluntário, sem pressão, e que pretendia devolver o valor, mas não conseguiu no prazo. Ele alegou ter 17 anos de ministério e que esta seria a segunda acusação injusta, minimizando o ocorrido em comparação à sua credibilidade. Seu advogado prepara uma petição para resolver o caso.

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