A governadora Celina Leão assinou ordens de serviço para obras de saneamento em São Sebastião, mas a medida chega após mais de três décadas de espera e sofrimento da população local, que ainda convive com falta d’água e ausência de esgotamento sanitário adequado.
Investimento chega tarde para comunidades afetadas
As intervenções, que somam R$ 153 milhões, incluem adutoras, dois reservatórios de quatro milhões de litros cada e redes de água e esgoto. Os prazos de execução variam entre 240 e 540 dias e visam atender mais de 12 mil famílias no Morro da Cruz, Capão Comprido e Residencial Vitória. Moradores relatam que a chegada da água tratada ocorre somente agora, depois de anos de racionamento e dependência de poços.
Começamos no Morro da Cruz hoje. Eu fico muito feliz quando venho a uma comunidade como o Morro da Cruz, que esperou por mais de 30 anos isso acontecer. Isso fala muito sobre o que é trazer cidadania. A população de São Sebastião pode esperar trabalho e compromisso da nossa parte.
Celina Leão
População ainda sofre com escassez diária
José Wilson Magalhães e Joseana Ferreira expressam cansaço acumulado. “Espero que melhore. A gente vinha sofrendo bastante”, afirma Magalhães. Ferreira completa: “Quando a gente chega, já não tem mais água. Aí tem que correr atrás do vizinho para arrumar água e poder pelo menos lavar uma louça”. O presidente da Caesb, Luis Antonio Reis, reconhece que a região era abastecida apenas por poços e que as novas adutoras trarão água de melhor qualidade, encerrando problemas antigos.
Apesar do anúncio, a tarifa social ainda representa custo adicional para famílias que, por décadas, pagaram o preço da omissão pública. As obras prometem reduzir perdas e ampliar o abastecimento, mas a demora em atender demandas básicas de Brasília expõe falhas estruturais persistentes no planejamento do Distrito Federal.