quinta-feira , 16 abril 2026
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Abandono de residência histórica em Brasília expõe descaso diplomático e riscos à saúde pública

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A residência projetada em 1961 pelo arquiteto João da Gama Filgueiras Lima, conhecido como Lelé, para César Prates, amigo e assessor do ex-presidente JK, representa um marco da arquitetura moderna brasileira em Brasília. Com elementos como sheds para iluminação e ventilação natural, integração de espaços internos e externos, e materiais aparentes como pedra bruta, madeira e concreto, a casa exemplifica o início da trajetória de Lelé, vinculada à tradição brasileira que valoriza materiais naturais e espacialidade fluida. No entanto, o imóvel, pertencente a uma embaixada estrangeira, encontra-se em estado de abandono avançado, com jardins tomados por mato, ferrugem, rachaduras e pichações, o que não apenas degrada um patrimônio cultural, mas também reflete uma falha diplomática em preservar bens de valor histórico no território nacional.

Especialistas como o arquiteto e urbanista Adalberto Vilela, professor da UnB, destacam a importância da residência, com detalhes como a escada suspensa e o sistema de umidificação por gotejamento em paredes de pedra, que demonstram preocupação com conforto e sustentabilidade muito antes de esses conceitos se popularizarem. Adriana Filgueiras Lima, filha de Lelé e também arquiteta, lamenta o desrespeito ao trabalho do pai e teme que o abandono seja intencional para justificar uma demolição, defendendo uma restauração que preserve as características originais. Essa situação evidencia uma negligência que vai além da arquitetura, questionando o compromisso de entidades diplomáticas com o respeito ao patrimônio do país anfitrião, especialmente em uma capital planejada como Brasília.

Vizinhos, como a servidora pública Andrea Pires Figueiredo, a advogada Ana Cristina Santana e a médica Simone Corrêa, relatam transtornos diários, incluindo insegurança, acúmulo de água parada favorecendo a dengue, presença de ratos e invasões por moradores de rua. O advogado Hélio Figueiredo Júnior aponta que o caso transcende o incômodo local, representando uma falta de respeito ao patrimônio cultural de Brasília por parte de um país estrangeiro. Apesar de contatos com a embaixada e o Itamaraty, que alegou prestar esclarecimentos sem detalhes públicos, autoridades como a Secretaria de Saúde e a Defesa Civil do DF não podem intervir sem permissão, expondo lacunas no protocolo diplomático que priorizam imunidades sobre o bem-estar coletivo e a preservação histórica.

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