quinta-feira , 15 janeiro 2026
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Quintas da Alvorada: o refúgio que resiste ao caos urbano de Brasília

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O Condomínio Quintas da Alvorada — Gleba I, no Jardim Botânico, acaba de completar 50 anos, marcando-se como o primeiro condomínio urbano de Brasília. Essa longevidade não é mero acidente, mas um testemunho da resiliência comunitária em uma capital onde o ritmo político dita o pulso da vida cotidiana. Surgido inicialmente como um conjunto de chácaras rurais, o local evoluiu para um espaço residencial com 183 casas, preservando uma essência de tranquilidade que contrasta com o frenesi das negociações parlamentares e burocráticas. A recente festa de comemoração, com barracas de comida, brinquedos para crianças e atrações musicais, reflete uma opinião que defendo: em tempos de polarização política, comunidades como essa representam um antídoto necessário, fomentando laços sociais que transcendem as divisões ideológicas.

Moradores como Sandra Maria Gomes dos Santos, corretora de imóveis de 49 anos que reside ali desde 1993, quando veio do Pará, destacam o valor inestimável dessa paz. Ela relata episódios em que portas ficaram abertas por dias sem incidentes, um luxo raro em uma metrópole como Brasília, onde a segurança pública frequentemente vira moeda de troca em debates eleitorais. Da mesma forma, Ben-Hur Alexandre Venturi, síndico de 61 anos e analista do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), observa com otimismo a interação entre gerações. Ele menciona uma festa de Halloween recente com cerca de 200 crianças, ilustrando como o condomínio integra antigos e novos residentes. Na minha visão, isso reforça a ideia de que o verdadeiro progresso urbano não se mede apenas por infraestrutura, mas pela capacidade de nutrir convivência harmônica, algo que Brasília, com sua herança modernista, nem sempre prioriza em suas políticas de planejamento.

Entre os veteranos, Dóris Santos de Faria, professora aposentada do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB), de 76 anos, mudou-se para lá em 2004 atraída pelo bosque repleto de araras, tucanos e micos. Seu doutorado sobre saguis a motivou a escolher o local, enfatizando a preservação ambiental como pilar da qualidade de vida. Opino que, em uma era de desafios climáticos agravados por decisões políticas questionáveis, condomínios como o Quintas da Alvorada servem de modelo, lembrando aos governantes que o bem-estar coletivo depende de equilibrar desenvolvimento com respeito à natureza. Essa celebração de 50 anos, portanto, não é só festiva, mas um lembrete sutil de que a estabilidade residencial pode influenciar, indiretamente, a estabilidade política da nação.

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