Às vésperas da COP30 em Belém, o tornado devastador que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, serve como um lembrete implacável de que as mudanças climáticas não esperam por negociações diplomáticas. Com ventos de 250 km/h, o evento deixou pelo menos seis mortos, 750 feridos e afetou cerca de 11 mil moradores, destruindo até 90% da área urbana da cidade de 13,9 mil habitantes. Essa tragédia, classificada como F3 na escala Fujita, não é mero acidente da natureza, mas um sintoma de políticas ambientais insuficientes que expõem populações vulneráveis a riscos crescentes. O governo federal, sob liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, mobilizou equipes e recursos, incluindo profissionais da Defesa Civil e do SUS, mas tais respostas reativas destacam a necessidade de investimentos preventivos em adaptação climática, especialmente em regiões suscetíveis como o Sul do Brasil.
A comoção nacional provocada pelo desastre levou o governador Ratinho Júnior a decretar calamidade pública e luto oficial, enquanto o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconheceu o estado de emergência para agilizar auxílios. A ministra Gleisi Hoffmann coordena esforços para liberação de recursos como saques do FGTS e benefícios do INSS, priorizando alimentação, abrigo e reconstrução. No entanto, opinamos que essas medidas, embora essenciais, mascaram uma falha estrutural: a lentidão na implementação de políticas que combatam o aquecimento global. Anna Cárcamo, do Greenpeace Brasil, acertadamente aponta que a COP30 deve avançar em financiamentos para adaptação e reparação de perdas, sem mais delongas, para evitar que desastres como esse se tornem rotina em um país já marcado por desigualdades socioeconômicas.
O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, em carta recente, apela por cooperação internacional para manter o limite de 1,5°C do Acordo de Paris, enfatizando a aceleração em energia limpa e restauração florestal. Essa visão é crucial, mas o tornado no Paraná evidencia que ambições globais precisam se traduzir em ações concretas no âmbito nacional. Com a conferência iniciando amanhã, o Brasil tem a oportunidade de liderar, transformando tragédias em catalisadores para equidade climática – uma responsabilidade política inadiável para proteger as gerações futuras.