No coração do Sudoeste, em Brasília, um incidente envolvendo animais de guarda expõe as fragilidades na gestão de segurança em áreas urbanas em expansão. Na noite de 7 de novembro, o cachorro Bolt, de propriedade de Viviane Lemos, de 45 anos, foi gravemente ferido por três rottweilers em um canteiro de obras na SQSW 500. Sem coleira durante um passeio noturno, Bolt desapareceu e, segundo relatos da tutora à Polícia Civil, foi puxado para dentro da obra pelos cães de vigilância. Esse episódio não apenas destaca a imprudência de passear animais sem restrições adequadas, mas também questiona a eficácia das medidas de contenção adotadas por empresas de segurança, que deveriam priorizar o bem-estar coletivo em meio ao crescimento desordenado de construções no Distrito Federal.
A resposta inicial ao incidente foi marcada por atrasos e falta de coordenação, o que agrava a percepção de ineficiência em serviços públicos e privados. Viviane Lemos relatou ter alertado um segurança, que alegou não possuir a chave do portão, forçando-a a contatar o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar e a Vigicão Vigilância Canina, responsável pelos rottweilers. Somente após 40 minutos Bolt foi resgatado e levado a um veterinário, onde permanece internado em estado grave, com ferimentos em patas, axilas e dificuldades respiratórias. A empresa, em nota, atribuiu o ocorrido à invasão do cão solto, oferecendo assistência que foi recusada pela tutora. Tais justificativas, contudo, não dissipam as reclamações de moradores locais sobre a agressividade dos animais de guarda, sugerindo uma necessidade urgente de regulamentações mais rigorosas para o uso de cães em vigilância urbana.
O envolvimento de figuras como Aslan Araújo, presidente da Associação de Condomínios da Quadra Parque 500 (ASCON Q500), que tentou mediar o conflito e orientou o registro na 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro), reforça a importância de lideranças comunitárias em cenários de tensão. Araújo já havia emitido um documento em agosto alertando sobre o uso de coleiras e focinheiras em passeios, além de dialogar com responsáveis por obras. Esse caso, investigado pelas autoridades, serve como alerta para políticas públicas no DF que equilibrem desenvolvimento urbano com segurança animal e humana, evitando que negligências pontuais se transformem em riscos sistêmicos para a população.