O projeto Entrequadras, nascido em 2020 de uma ideia simples entre amigos e familiares, evoluiu para um movimento robusto no Distrito Federal, reunindo cerca de 40 times e 450 atletas. Mais do que um campeonato de basquete de rua, ele representa uma iniciativa que revitaliza espaços públicos, integrando esporte, arte e inclusão social. Com categorias masculina, feminina e em cadeira de rodas, o projeto vai além das quadras ao promover ações paralelas ligadas à cultura hip hop, como batalhas de rima, break dance, cheerleaders, oficinas infantis e shows de artistas locais. Idealizado por Davi Gaspar, Gustavo Pinheiro e Henrique Rachid, o Entrequadras demonstra como dedicação pode transformar cenários urbanos, especialmente em um contexto onde políticas públicas nem sempre priorizam o lazer comunitário.
Cada edição do projeto inclui ações de revitalização de quadras, como a que ocorreu na 105 Norte em 2022, com pintura de tabelas e parcerias com artistas como Toys e Mão, além de patrocínios de grandes empresas para melhorias estruturais. Recentemente, em 2025, o Entrequadras chegou à Universidade de Brasília (UnB), onde, com apoio do Deac, a equipe nivelou e pintou uma quadra do zero, preparando-a para um evento integrando cursos da instituição. Davi Gaspar relata que o processo foi como trabalhar em uma tela em branco, medindo, demarcando e aplicando tintas para criar um espaço novo. A primeira edição, em 2021 na quadra da Santa Terezinha no Cruzeiro, começou com recursos mínimos – uma bola, um tripé e uma câmera –, mas reuniu 16 times uniformizados, revelando o potencial do projeto para engajar a comunidade de forma séria e organizada.
Além das competições, o Entrequadras estende seu impacto com ações sociais em escolas e instituições de caridade, incluindo campeonatos 3×3, disputas um contra um e oficinas para crianças, além de participações em eventos como Meskla, Batalha da Escada, Skate no Quadrado e NBB Trio. Um destaque é o torneio de enterradas, que atrai público com nomes como Hakim, o maior dunker da América Latina, e jurados experientes como Daniel Von Haydin, Arthur Belchor, Romulo Gusmão, Guga e Mariana, muitos com passagens pela seleção brasileira. Em um Distrito Federal marcado por desafios urbanos, iniciativas como essa opinam implicitamente pela necessidade de mais investimentos em cultura e esporte de base, transformando espaços ociosos em centros de convivência que fortalecem laços sociais e promovem inclusão, algo que políticas locais poderiam incentivar com maior vigor.