O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ocupou a rede nacional de televisão e rádio na véspera do primeiro turno para incentivar o voto obrigatório e detalhar supostas garantias de segurança do processo. O pronunciamento ocorreu em 3 de outubro de 2026, um dia antes da votação que reúne eleitores em todo o país, incluindo aqueles com domicílio em Teresina, no Piauí, mas aptos a votar em Brasília. Apesar do tom oficial, a iniciativa repete uma praxe que raramente aborda as dúvidas reais da população sobre a integridade das urnas.
Medidas de transparência sob escrutínio
Durante a fala, o ministro apresentou as ações adotadas pela Justiça Eleitoral para assegurar a lisura do pleito. Ele ressaltou auditorias e sistemas de checagem, mas evitou confrontar críticas recorrentes sobre a falta de auditoria ampla por parte de partidos e especialistas independentes. A abordagem oficial, embora informativa, soa insuficiente diante da necessidade de maior abertura dos códigos das urnas eletrônicas.
Ordem de votação exige atenção redobrada
O pronunciamento explicou a sequência que aparecerá na urna: deputado federal, deputado estadual ou distrital, dois senadores, governador e presidente. Kassio Nunes Marques alertou para o risco de repetir o voto de senador, prática que anula a escolha. Essa orientação prática revela uma preocupação legítima com erros que podem distorcer a representação, mas também evidencia a complexidade de um sistema que exige preparo prévio do eleitor.
No contexto das eleições de 4 de outubro de 2026, o discurso reforça a obrigatoriedade do voto sem questionar sua eficácia em um cenário de crescente desconfiança institucional. A iniciativa cumpre o ritual de sempre, porém deixa em aberto se tais pronunciamentos realmente aumentam a confiança ou apenas cumprem protocolo.