quinta-feira , 15 janeiro 2026
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Arroz contaminado nas merendas do DF: por que as irregularidades persistem?

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O Conselho de Alimentação Escolar (CAE/DF) mais uma vez expõe falhas graves no fornecimento de merendas para estudantes da rede pública do Distrito Federal, com um relatório enviado ao Tribunal de Contas do DF (TCDF) denunciando arroz impróprio para consumo, contaminado por carunchos e larvas. Essa não é uma novidade isolada, já que a mesma irregularidade foi reportada em 2024, o que sugere uma preocupante recorrência e uma possível negligência sistêmica por parte dos responsáveis. Durante fiscalizações in loco em seis escolas – como o Centro Educacional 01 do Riacho Fundo, a Escola Classe 06 de Taguatinga e o Centro de Ensino Médio 02 de Planaltina –, foram identificados pacotes de fornecedores com histórico de contaminações, além de um novo fornecedor também afetado. Das 19.428 unidades triadas, totalizando 97.140 kg, nada menos que 9.602 unidades (48.010 kg) foram consideradas impróprias, exigindo notificação imediata para recolhimento e substituição. Até o momento, 8.155 unidades (40.775 kg) foram repostas, restando 1.447 unidades (7.235 kg) a serem entregues antes da terceira distribuição de 2025, uma medida que, embora positiva, não mascara a urgência de reformas mais profundas.

Além do arroz, as inspeções revelaram outros problemas crônicos, como a necessidade de reformas nas cozinhas escolares, a ausência da informação “Venda proibida” nos rótulos de carnes e frangos, e até larvas em pacotes de feijão-preto, o que reforça a opinião de que o controle de qualidade na alimentação escolar está aquém do necessário para proteger a saúde das crianças. Na sessão de 5 de novembro, o Plenário do TCDF, sob decisão do desembargador André Clemente Lara de Oliveira, determinou que a Secretaria de Estado de Educação (SEE/DF) se manifeste em até 10 dias sobre essas irregularidades, alertando para a adoção de providências imediatas a fim de impedir a distribuição de produtos impróprios. Essa intervenção do tribunal é um passo essencial, mas levanta questionamentos sobre por que tais falhas persistem em um setor tão vital quanto a educação pública, onde a nutrição impacta diretamente o desenvolvimento dos estudantes.

A resposta da SEE/DF, que alega não ter sido notificada oficialmente sobre o relatório mas afirma acompanhar as apurações e realizar fiscalizações periódicas com nutricionistas, além de solicitar laudos laboratoriais, soa como uma defesa protocolar que não convence diante da evidência acumulada. Em um contexto político onde a gestão de recursos públicos deve priorizar o bem-estar coletivo, é imperativo que as autoridades transcendam as burocracias e implementem mecanismos mais robustos de vigilância, evitando que denúncias como essa se tornem rotina. Afinal, a persistência dessas irregularidades não apenas compromete a credibilidade das instituições, mas também reflete uma falha maior na governança do DF, demandando accountability real para salvaguardar o futuro das gerações em formação.

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