As investigações da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), coordenada pela Polícia Federal, revelaram que o Primeiro Comando da Capital (PCC) montou uma rede de grupos de WhatsApp no Distrito Federal, organizados por regiões administrativas. Esses grupos serviam como ferramentas centrais para comando, controle e financiamento da facção, operando como células territoriais em áreas como Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Planaltina, Gama, Paranoá e regiões do Entorno goiano. Longe de meras conversas, eles gerenciavam a rotina de integrantes, distribuíam ordens e organizavam ações financeiras para sustentar atividades criminosas.
A análise de celulares apreendidos mostrou que a arrecadação era descentralizada, mas o controle das decisões permanecia centralizado, com responsáveis locais prestando contas à hierarquia superior. Esses operadores organizavam rifas, cobranças periódicas e contribuições obrigatórias, repassando valores para compra de armas, custeio de advogados e despesas operacionais. O modelo assemelhava-se a uma estrutura empresarial, com metas financeiras por região. Um núcleo sensível era o grupo de “disciplina”, que fiscalizava membros de baixa hierarquia, avaliava condutas e aplicava sanções.
Nesse contexto, surgiam listas da morte, com nomes de indivíduos considerados traidores ou indisciplinados, conhecidos como “decretados”. Esses alvos eram monitorados até a execução de ordens, baseadas em relatórios internos. Um exemplo ocorreu em setembro de 2024, em Planaltina, onde um homem foi assassinado após romper com o PCC e tentar migrar para o Comando Vermelho. A rede permitia à facção manter coesão mesmo com membros encarcerados.
A estrutura começou a ser desarticulada pela Operação Mosaico, deflagrada em 18 de dezembro, com 17 mandados de prisão temporária e 17 de busca e apreensão no DF e Entorno. Mais de 100 policiais, incluindo Polícia Civil, Polícia Militar e sistema penitenciário, participaram da ação, que se baseou em análises técnicas de dispositivos eletrônicos para identificar a extensão da rede criminosa.