Em meio às tensas negociações na Câmara dos Deputados, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou claro que seu partido não abre mão da anistia total para os envolvidos em determinados atos. Questionado sobre a possibilidade de um acordo que substituísse a anistia por uma dosimetria de penas, ele afirmou categoricamente que o PL jamais cogitou tal proposta. Essa postura reflete uma estratégia inflexível, que pode polarizar ainda mais o debate político, especialmente em um momento em que a unidade entre as bancadas é crucial para o avanço de projetos sensíveis. Ao defender que o relator apresente seu texto e que a votação ocorra de forma direta, permitindo que a maioria decida, Flávio Bolsonaro parece apostar na força numérica do partido, o que, na minha visão, arrisca prolongar impasses em vez de buscar consensos pragmáticos.
O senador também destacou a boa relação com o relator do projeto, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), descrevendo-o como aberto ao diálogo. No entanto, ele enfatizou que o compromisso do PL é estritamente com a anistia, sem qualquer concessão à dosimetria. Essa declaração não só reforça a linha dura adotada pela sigla, mas também sinaliza uma potencial fricção com aliados que possam preferir soluções intermediárias. Opinar que essa rigidez é uma tática para manter a base unida é razoável, mas ignora o risco de isolamento político em um Congresso fragmentado, onde negociações sutis frequentemente definem vitórias.
Por fim, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, corroborou essa posição ao revelar que a intenção da sigla é apresentar a proposta de anistia como destaque durante as discussões. Essa manobra tática sugere uma ofensiva para impor a agenda do partido, o que pode ser interpretado como uma demonstração de força, mas também como uma barreira ao progresso legislativo. Em um cenário de instabilidade política, tal abordagem opinativa pode fortalecer o PL internamente, mas questiono se ela contribuirá para uma governabilidade efetiva no longo prazo.