No velório de Allany Fernanda, a adolescente de 13 anos morta com um tiro na cabeça no Sol Nascente, a tia Paula Cristiane compartilhou detalhes chocantes de uma conversa com outra menina presente na kitnet onde o crime ocorreu. Segundo Paula, uma vigilante, o grupo incluía Allany, a outra adolescente, um namorado não identificado, o suspeito Carlos Eduardo, de 20 anos, e sua namorada. Na noite anterior, eles teriam ido ao bar Olimpias, onde as meninas consumiram bebida e drogas em excesso, antes de seguirem para a casa de Carlos. Essa narrativa, similar ao depoimento de Carlos à polícia, que alega um disparo acidental durante o manuseio de uma arma enquanto comiam pizza, levanta questionamentos profundos sobre a negligência em ambientes que expõem menores a riscos letais. Em um país onde políticas de segurança pública parecem falhar sistematicamente, incidentes como esse não são meros acidentes, mas sintomas de uma sociedade que abandona sua juventude à mercê de influências perigosas.
Paula, emocionada, descreveu o pavor que sentiu ao pressentir a tragédia ao ver uma reportagem sobre uma menina baleada. Sem contato com Allany no domingo, ela confirmou a identidade pela descrição de uma colega no hospital, destacando o vínculo maternal que as unia – Allany a via como mãe, apesar de não ser biológica. Após o tiro, a outra adolescente foi mandada embora por Carlos e caminhou sozinha de madrugada até Ceilândia Norte. Tais relatos, auxiliares nas investigações policiais, revelam não apenas a devastação familiar, mas também a urgência de reformas políticas que priorizem a proteção de vulneráveis. Opinar que o Estado brasileiro, com suas leis frouxas sobre armas e fiscalização de bares, contribui para essas tragédias não é exagero; é uma constatação necessária para evitar que histórias como a de Allany se repitam.
Essa despedida, marcada por lágrimas e um sentimento de destruição, resume o custo humano de falhas sistêmicas. Paula, que criava Allany como filha, lamenta a ausência de intervenção que poderia ter evitado o desfecho. Em um contexto político onde debates sobre segurança e juventude são frequentemente relegados, casos assim demandam ação imediata: maior rigor na aplicação de leis contra o consumo de substâncias por menores e controle de armas. Ignorar isso perpetua um ciclo de violência que devora o futuro da nação, exigindo que lideranças assumam responsabilidade além de discursos vazios.