quinta-feira , 15 janeiro 2026
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Feminicídio no Exército revela tensões de gênero em instituições militares

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Mais uma mulher foi vítima de feminicídio no Distrito Federal, marcando o 26º caso neste ano. Maria de Lourdes Freire Matos, de 25 anos, cabo e musicista da Fanfarra do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas, no Setor Militar Urbano, foi encontrada carbonizada após um incêndio no quartel. O corpo apresentava um corte profundo no pescoço, e o soldado Kelvin Barros da Silva, de 21 anos, confessou o crime, admitindo ter golpeado a vítima com um punhal e incendiado o local para destruir provas antes de fugir. O incidente ocorreu na tarde de sexta-feira, por volta das 16h, e o suspeito foi capturado pouco depois pela Polícia Civil do Distrito Federal.

Apaixonada pela música, Maria de Lourdes, conhecida como Malu, era solteira, católica e focada em sua carreira militar, preparando-se para concursos no Corpo de Bombeiros e na Força Aérea Brasileira. Segundo a advogada Leila Santiago, representante da família, a vítima não tinha qualquer relacionamento com o agressor e rejeitava vínculos amorosos no ambiente de trabalho. O crime teria sido motivado pela incapacidade do soldado de aceitar a autoridade feminina de Maria, que ocupava posição hierárquica superior e o coordenava naquele dia. Kelvin apresentou versões contraditórias em depoimento, incluindo alegações de um suposto relacionamento e de um surto psicótico da vítima, mas familiares e fontes próximas negam qualquer ligação, sugerindo perseguição por parte do agressor, que se apresentava como “bom samaritano” para mulheres recém-chegadas ao quartel.

A investigação envolve o Batalhão de Polícia do Exército, a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros, com perícias em andamento no Instituto Médico Legal. Kelvin foi autuado por feminicídio, furto de arma, incêndio e fraude processual, e sua prisão em flagrante foi convertida em preventiva. O Exército instaurou um Inquérito Policial Militar e anunciou a exclusão do soldado da corporação. Especialistas como Ivonete Granjeiro, consultora legislativa da Câmara Legislativa do DF, destacam a necessidade de rapidez na apuração e cooperação entre instituições, enfatizando que o crime será julgado pela Justiça Comum, com pena agravada pela Lei nº 14.994/24, que qualifica o homicídio de mulheres por razões de gênero como hediondo.

Lucia Bessa, presidente do Instituto Viva Mulher, aponta para a cultura hierárquica e masculinista em instituições militares, defendendo programas de educação, canais de denúncia independentes e punições imediatas para prevenir violência de gênero. O caso reforça debates sobre políticas públicas, como delegacias especializadas e capacitação em perspectiva de gênero, para combater o feminicídio de forma sistêmica.

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