A cidade de Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, enfrenta uma crise provocada por chuvas intensas que se arrastam desde o último fim de semana, levando o prefeito Dr Lucas, do União Brasil, a decretar estado de emergência nesta quinta-feira (27/11). No documento, obtido com exclusividade, o gestor destaca os impactos devastadores, como alagamentos, enxurradas, danos à malha viária, erosões e deslizamentos, que interromperam serviços essenciais e colocaram em risco a integridade física da população. Essa medida, que abrange áreas urbanas e rurais por pelo menos 180 dias, reflete não apenas uma resposta imediata a eventos climáticos, mas também uma crítica implícita à insuficiência de recursos municipais para lidar com desastres recorrentes, sugerindo que a dependência de auxílio externo expõe vulnerabilidades políticas crônicas na região.
Diante da gravidade, o decreto impõe ações urgentes, como a elaboração de relatórios preliminares de danos pelas secretarias municipais em até 72 horas, incluindo estimativas de prejuízos, identificação de famílias afetadas e registros fotográficos. A Defesa Civil Municipal é encarregada de monitorar áreas críticas e vistoriar residências suscetíveis a deslizamentos, enquanto um segundo decreto institui o Grupo de Trabalho de Reconstrução, coordenado pela Companhia de Desenvolvimento de Águas Lindas (Codeal), para elaborar projetos e captar recursos. Essas iniciativas, embora necessárias, levantam questionamentos sobre a proatividade das autoridades locais e estaduais, pois chuvas intensas como essas não são inéditas no Entorno, e a repetição de emergências pode indicar uma falha sistêmica na planejamento urbano e na prevenção de riscos, onde a política deveria priorizar investimentos preventivos em vez de reações tardias.
O prefeito Dr Lucas também encaminhará ofícios ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União Brasil, e à Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, solicitando reconhecimento estadual e federal da emergência, além de recursos para obras de drenagem, contenção e assistência humanitária. Essa busca por apoio reflete a limitação da capacidade municipal e reforça a necessidade de uma coordenação política mais robusta entre esferas de governo, especialmente em regiões periféricas como o Entorno do DF, onde desastres climáticos amplificam desigualdades sociais. A população é orientada a evitar áreas alagadas e acionar canais oficiais em casos de risco, mas cabe aos líderes políticos transformar essa crise em oportunidade para reformas estruturais, evitando que emergências se tornem rotina por negligência administrativa.