A aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) nesta terça-feira (25/11) representa um marco controverso no planejamento urbano de Brasília, onde a necessidade de segurança jurídica colide com acusações de retrocesso ambiental. Com 19 votos favoráveis e apenas um contrário, o texto, que guiará o crescimento da capital pelos próximos 10 anos, superou horas de debates acalorados e tentativas de obstrução por opositores. A relatora incorporou 148 emendas e 15 subemendas de um total de 586 analisadas, rejeitando 372 e considerando 51 prejudicadas, o que reflete um processo de tramitação acelerado, mas não isento de polêmicas. Na visão opinativa, essa aprovação, embora avance na regularização de ocupações irregulares, expõe as fragilidades de um sistema político que prioriza acordos sobre consensos amplos, potencialmente perpetuando desigualdades em uma cidade já marcada por distorções históricas.
Deputados da base governista, como Chico Vigilante (PT), surpreenderam ao defender o PDOT como um instrumento de regras claras contra ocupações desordenadas, argumentando que o Distrito Federal sofreu anos de expectativas por legalizações posteriores. Hermeto (MDB) foi ainda mais enfático, elogiando o trabalho técnico das comissões e alertando que opositores enfrentarão dificuldades eleitorais ao ignorar demandas de comerciantes em regiões administrativas carentes de regularização. Essa postura reforça a ideia de que o plano é um “avanço contra a irregularidade”, mas ignora vozes críticas que veem nele um incentivo à especulação imobiliária. Opinativamente, tal divisão reflete não apenas ideologias partidárias, mas uma oportunidade perdida para um debate mais inclusivo, onde o crescimento urbano poderia ser equilibrado com preservação ambiental, em vez de ser visto como uma ferramenta eleitoral.
Por outro lado, opositores como Gabriel Magno (PT) não pouparam críticas, classificando o projeto como um aprofundamento das desigualdades, com fragilização do controle ambiental e estímulo à pressão imobiliária. O PDOT, revisado desde 2019 e retomado em 2023, substitui a versão de 2009 e abrange temas cruciais como habitação, mobilidade, infraestrutura e proteção de áreas sensíveis. Agora, o texto segue para sanção do governador, definindo expansões urbanas e instrumentos de gestão territorial. Em uma análise opinativa neutra, enquanto o plano promete corrigir distorções e prevenir irregularidades, sua aprovação em clima de tensão sugere que Brasília ainda luta para harmonizar desenvolvimento com sustentabilidade, correndo o risco de agravar problemas como o déficit habitacional se as críticas ambientais não forem devidamente consideradas no futuro.