A região de Ceilândia, a mais populosa do Distrito Federal com mais de 287 mil habitantes, transformou-se em um palco de insegurança alarmante, onde crimes contra o patrimônio crescem de forma exponencial. Dados da Polícia Civil revelam aumentos significativos entre janeiro e outubro de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024, como furtos em comércio (51,2%), furtos em coletivos (55%) e danos a bens públicos (300%). Esses números não são mero acidente, mas o reflexo de uma legislação branda que, na visão do delegado-chefe da 15ª DP, Ataliba Neto, incentiva a reincidência entre dependentes químicos e criminosos oportunistas. É inaceitável que audiências de custódia devolvam à rua indivíduos com histórico de prisões, fomentando a certeza da impunidade e expondo moradores e comerciantes a um ciclo vicioso de medo diário.
O especialista em segurança pública Renato Araújo aponta para vulnerabilidades socioeconômicas como raiz do problema, agravadas por falhas na gestão de segurança. A alta densidade populacional e a aglomeração no Centro de Ceilândia facilitam ações criminosas, especialmente contra idosos e mulheres, enquanto o comércio informal absorve bens roubados, tornando o crime lucrativo. Policiamento ostensivo, embora essencial, revela ineficácias estratégicas, como a falta de inteligência para mapear modus operandi e alocar recursos de forma georreferenciada. Essa deficiência sistêmica reflete uma omissão política mais ampla, onde a prevenção social é negligenciada, permitindo que dependentes químicos, com discernimento comprometido, perpetuem delitos sem perspectiva de reinserção.
Diante desse cenário, ações integradas entre a Polícia Militar, Administração Regional de Ceilândia e outros órgãos, como operações de reordenamento urbano e intensificação natalina, representam passos positivos, mas insuficientes sem reformas profundas. Apreensões de mercadorias irregulares e armas brancas são paliativos; o que se exige é uma abordagem política que endureça penas, invista em inteligência policial e combata a dependência química com programas sociais robustos. Sem isso, Ceilândia continuará refém de uma impunidade que não só ameaça a ordem pública, mas questiona a eficácia do Estado em proteger seus cidadãos.