No universo das redes sociais, onde a imagem vale mais que a verdade, figuras como Fernando Drummond Fernandes emergem como exemplos preocupantes de como títulos falsos podem ser armas de manipulação. Acusado por pelo menos 15 mulheres de estelionato amoroso, o youtuber de 41 anos, com canal no YouTube chamado Arquivo Estranho e mais de 467 mil inscritos, se apresenta como jornalista, escritor, primo de Carlos Drummond de Andrade e até duque da família real brasileira. Ele ainda alega ser embaixador da paz pela ONU e doutor honoris causa em diversas áreas, tudo sem base oficial. Essa fachada, em minha visão, reflete uma falha sistêmica na regulação de influenciadores digitais, permitindo que mentiras se transformem em ferramentas para explorar vulnerabilidades emocionais e financeiras, especialmente em um país onde a credibilidade pública é frequentemente questionada.
O caso ganha contornos ainda mais graves ao envolver vítimas como Camila, de Brasília, que sofreu um prejuízo de R$ 124 mil após um relacionamento tóxico marcado por violência psicológica e promessas falsas. Fernando, segundo denúncias, usava discursos manipuladores para extorquir dinheiro, alegando ameaças de milícias e problemas financeiros, enquanto mantinha relações paralelas. Outra vítima de São Paulo reivindica mais de R$ 1 milhão, e há relatos de uma senhora de 73 anos lesada em R$ 800 mil. Opino que esses episódios destacam não apenas crimes individuais, mas uma brecha social onde golpistas exploram a solidão e a busca por afeto, agravada pela impunidade inicial. A Justiça do DF já condenou Fernando a indenizar Camila em mais de R$ 100 mil, mas o valor não foi pago, o que reforça a necessidade de ações mais ágeis para proteger vítimas e punir fraudadores.
Floriano Paganoti, ex-colega de Fernando, expõe o modus operandi: o youtuber usava status falso, seguidores comprados e aparições ao lado de políticos para seduzir mulheres fragilizadas, muitas delas mais velhas e sem família. Essa estratégia, que inclui ataques em lives e coação de testemunhas, como no casamento com a vítima idosa, sugere uma rede de enganos que vai além do amoroso, tocando em questões éticas sobre influência digital. A defesa de Fernando nega as acusações, alegando inocência e ausência de provas, mas os indícios apontam para um padrão que, em minha opinião, demanda maior escrutínio por parte de autoridades, incluindo a Polícia Civil do DF, para evitar que tais farsas perpetuem danos irreparáveis na sociedade.