A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade tornar o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) réu, acatando a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). A acusação aponta que ele atuou nos Estados Unidos para promover tarifas sobre exportações brasileiras e sanções econômicas contra ministros do STF e outras autoridades do governo federal. Essa movimentação, segundo a PGR, visava interferir no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado que resultou na condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão. O voto decisivo veio da ministra Cármen Lúcia neste sábado (15/11), somando-se aos de Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, que já haviam formado maioria na véspera. Em um momento em que a democracia brasileira ainda lida com as sequelas de polarizações extremas, essa decisão reforça a importância de investigar ações que possam minar instituições, mesmo quando oriundas de figuras políticas influentes.
A denúncia da PGR, liderada pelo procurador-geral Paulo Gonet, descreve uma estratégia conjunta de Eduardo Bolsonaro e do blogueiro Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Baptista Figueiredo, para criar um ambiente de insegurança e ameaças. Eles teriam se apresentado como articuladores de represálias estrangeiras e isolamento diplomático do Brasil, condicionando a interrupção dessas medidas à ausência de condenação criminal contra Jair Bolsonaro. Gonet destacou que os acusados se posicionaram como os únicos capazes de desativar tais sanções, o que configura uma tentativa de obstruir a justiça. Embora a Turma tenha analisado apenas a aceitação da denúncia, abrindo caminho para uma ação penal futura, o desmembramento do caso de Figueiredo indica que o julgamento do mérito ainda demandará tempo. Essa abordagem opinativa sugere que tais condutas, se comprovadas, representam não apenas uma infração legal, mas um risco à soberania nacional, questionando até que ponto influências externas podem ser manipuladas para fins pessoais ou políticos.
Até o momento, representantes de Eduardo Bolsonaro não responderam a tentativas de contato para comentar a decisão unânime do STF. Esse silêncio pode ser interpretado como uma estratégia defensiva em meio a um escândalo que expõe as ramificações internacionais do bolsonarismo. Em um contexto de crescente escrutínio sobre a accountability de líderes, o caso ilustra como ações supostamente protetoras de familiares podem colidir com os pilares da República, convidando a uma reflexão mais profunda sobre os limites do ativismo político no exterior.