As polícias Civil do Distrito Federal e de Santa Catarina uniram forças para desmantelar um esquema fraudulento liderado por Gustavo Real Rabelo, autodenominado “o rei das milhas”. A empresa Mais Milhas, sob sua influência, prometia descontos de até 50% no pagamento de boletos bancários por meio de milhas aéreas, além de pacotes de viagens internacionais que nunca se concretizavam. Inicialmente, alguns boletos eram quitados para conquistar a confiança das vítimas, mas logo o golpe se revelava: valores maiores enviados não eram pagos, forçando os consumidores a arcarem com duplicatas para evitar multas e negativações. Um exemplo chocante envolve uma família de São Paulo que perdeu R$ 150 mil em passagens para a Alemanha que jamais foram emitidas, destacando como esses artifícios exploram a vulnerabilidade econômica em um país onde a regulação de serviços digitais ainda é insuficiente.
O prejuízo total estimado supera R$ 1,5 milhão, com dezenas de vítimas no Distrito Federal e em outros estados, incluindo pelo menos 10 boletins de ocorrência contra a agência no DF. A operação conjunta em março de 2024, em cidades como Balneário Camboriú e Garopaba, resultou na apreensão de bens luxuosos, como uma BMW 540i, uma BMW X5 e uma Land Rover, além de documentos e equipamentos eletrônicos. Esses itens, convertidos dos recursos obtidos ilicitamente, ilustram o estilo de vida ostentoso de Gustavo, que transformava fraudes em patrimônio pessoal, incluindo móveis e imóveis. Na minha visão, esse caso não é apenas uma falha individual, mas um sintoma de lacunas regulatórias que permitem a proliferação de empresas fantasmas, exigindo uma resposta mais firme das autoridades para proteger o cidadão comum de predadores financeiros.
Embora as investigações avancem com bloqueios judiciais nos ativos da empresa sediada em Garopaba, ligada à família de Gustavo, o histórico de fraudes bancárias prévias do suspeito sugere uma rede mais ampla que opera em nível nacional. É imperativo que policymakers priorizem reformas para fortalecer a fiscalização de transações online, evitando que esquemas como esse minem a confiança na economia digital. Enquanto Gustavo não responde às tentativas de contato, as polícias continuam rastreando o fluxo financeiro para formalizar denúncias, mas o dano às vítimas já é irreparável, reforçando a necessidade de vigilância coletiva.