No subsolo de uma quadra comercial na Asa Norte, em Brasília, um estabelecimento que se apresenta como clínica de massoterapia opera um esquema dissimulado de serviços sexuais, explorando a proximidade com a Esplanada dos Ministérios para atrair uma clientela discreta. O processo inicia com um desfile de “terapeutas”, onde as jovens desfilam individualmente, exibindo trajes provocantes que pouco deixam à imaginação, como uma camisola vermelha transparente ou shorts e tops sedutores. Com preços fixados em R$ 170 pela suposta terapia e um adicional de R$ 80 pela “xerecada da alegria”, o local transforma o que deveria ser um serviço de bem-estar em uma transação puramente libidinosa, questionando a efetividade das fiscalizações em áreas centrais da capital.
Essa apropriação indevida do termo “terapeuta” não é mera sutileza semântica, mas uma estratégia para driblar autoridades e conferir legitimidade a atividades ilícitas, descredibilizando profissionais sérios da massoterapia que exigem formação ética e técnica. Especialistas consultados destacam que tal desvio representa uma violação ética grave, com riscos à saúde física e psicológica tanto das envolvidas quanto dos clientes, que buscam disfarces para prazeres proibidos. Em um contexto político onde a transparência é essencial, essa fachada revela como negócios clandestinos prosperam à sombra de instituições públicas, demandando uma reflexão sobre a conivência ou omissão regulatória em Brasília.
O acesso ao local, minuciosamente planejado para evitar suspeitas, inclui entradas laterais durante o horário comercial e pelos fundos após as 18h, com interfone para isolamento. Essa logística reforça a natureza sigilosa do empreendimento, que anuncia “ambiente reservado” e “atendimento profissional” via WhatsApp, mas dissolve qualquer ilusão terapêutica ao adentrar o espaço. Diante de tal realidade, é imperativo que autoridades intensifiquem a vigilância, pois o que se vende como relaxamento é, na essência, um comércio mercenário que macula a imagem de serviços legítimos e expõe vulnerabilidades no tecido urbano da capital federal.