quinta-feira , 15 janeiro 2026
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COP30 em Belém: ambições globais à prova em meio a contradições nacionais

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A abertura da COP30 em Belém marca um momento pivotal para a agenda climática mundial, dez anos após o Acordo de Paris, que visava limitar o aquecimento global a 1,5°C. No entanto, o Brasil, como anfitrião, enfrenta o constrangimento de ter autorizado a exploração de petróleo na Margem Equatorial, uma decisão que vai na contramão da transição energética defendida pela conferência. Especialistas apontam que as chances de avanços concretos são limitadas, especialmente pela ausência dos Estados Unidos, que abandonaram o acordo, criando lacunas no financiamento climático. O presidente Lula, em seu discurso, enfatizou o protagonismo brasileiro, mas evitou a polêmica do petróleo, o que sugere uma retórica mais simbólica do que prática. É opinativo afirmar que essa omissão compromete a credibilidade do país, revelando uma tensão entre ambições ambientais e interesses econômicos imediatos.

O alerta do secretário-executivo da ONU, Simon Stiell, sobre eventos climáticos recentes, como o tornado no Paraná e furacões no Caribe, reforça a urgência de ações cooperativas. Apesar disso, um estudo do Pnuma indica que, mesmo cumprindo as atuais Contribuições Nacionalmente Determinadas, o mundo caminha para um aquecimento de 2,3°C a 2,5°C até o fim do século, longe da meta de Paris. Anna Cárcamo, do Greenpeace Brasil, destaca que a saída dos EUA não deve paralisar os esforços, mas exige que outros países preencham o vácuo, especialmente em financiamento para nações em desenvolvimento. Na visão opinativa, essa conferência representa uma oportunidade desperdiçada se não houver compromissos firmes, pois o plano de US$ 1,3 trilhão anual de Baku permanece sem adesão concreta dos países ricos, perpetuando desigualdades globais.

A principal aposta brasileira é o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), com meta de US$ 10 bilhões até 2026, já próximo de US$ 5,5 bilhões, segundo a ministra Marina Silva. Contudo, Cárcamo ressalta a necessidade de melhorias, como alocação mínima de 20% para povos indígenas, para que o fundo não seja apenas um mecanismo de compensação superficial. O evento, com cerca de 50 mil participantes e estruturas como a Zona Azul para negociações e a Zona Verde para o público, inclui iniciativas como a Casa do Seguro, promovida pelo setor segurador para discutir resiliência climática. Opiniativamente, enquanto essas ações são passos positivos, elas mascaram a lentidão global em transitar para energias renováveis, tornando a COP30 um teste crucial para transformar retórica em realidade sustentável.

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