A chegada da comitiva federal ao sudoeste do Paraná, liderada pela ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e incluindo o ministro em exercício da Saúde, Juliano Massuda, representa um esforço notável para mitigar os estragos causados pelo tornado que devastou a região na sexta-feira (7/11). Com representantes da Força Nacional do SUS, Defesa Civil Nacional, Cenad e Ministério do Desenvolvimento Social, o grupo sobrevoou as áreas afetadas, avaliou danos e iniciou o planejamento de ações emergenciais. É inegável que essa mobilização rápida reflete uma tentativa de coordenação entre esferas governamentais, especialmente após o reconhecimento do estado de calamidade, que agiliza a liberação de recursos como saques do FGTS e benefícios do INSS. No entanto, em um contexto político polarizado, essa união pode ser vista como um teste para a efetividade de respostas coletivas em crises, onde falhas de planejamento prévio frequentemente expõem vulnerabilidades sistêmicas.
Gleisi Hoffmann enfatizou a coordenação com o governo estadual e prefeituras para restabelecer serviços básicos, como alimentação, abrigo e reconstrução de moradias, priorizando o fornecimento de materiais de construção, telhas, alimentos e itens de higiene. A presença de equipes de saúde, incluindo especialistas em saúde mental, destaca uma abordagem integral que vai além das perdas materiais, reconhecendo o impacto emocional profundo nas vítimas e familiares. Opinativamente, essa inclusão de suporte psicológico é um avanço louvável, sinalizando uma evolução nas políticas de emergência que consideram o bem-estar humano de forma mais holística, embora reste questionar se tais medidas serão suficientes para lidar com o trauma coletivo em uma região já marcada por desigualdades sociais.
O tornado deixou ao menos seis mortos, dezenas de feridos e centenas de desabrigados, demandando um plano de reconstrução urbana que Gleisi descreveu como um esforço coletivo para superar desafios inéditos. As equipes federais permanecerão na região nos próximos dias para monitorar a liberação de recursos e as etapas de recuperação. Nesse cenário, é fundamental que o governo federal mantenha a transparência e a agilidade prometidas, pois qualquer atraso poderia minar a confiança pública em momentos de calamidade, reforçando a necessidade de políticas preventivas mais robustas para mitigar riscos futuros em áreas vulneráveis.