No auge da ditadura militar brasileira, em 1984, o jornalista Mário Eugênio Rafael de Oliveira pagou com a vida por denunciar um grupo de extermínio formado por policiais civis e militares do Exército. Apresentador do programa “O gogó das sete” e editor no Correio Braziliense, ele expôs o assassinato de um proprietário de chácara em Luziânia, o que o tornou alvo de uma execução brutal no estacionamento da Rádio Planalto, em Brasília. Com uma facada na nuca e tiros de espingarda calibre 12 e revólver magnum calibre 38, seu crânio ficou desfigurado. Esse crime não foi apenas um ato isolado de violência, mas um reflexo opinativo de como o regime autoritário silenciava vozes críticas, perpetuando uma cultura de terror que ainda assombra a memória coletiva do país, questionando se a democracia atual realmente rompeu com esses vestígios.
Sete suspeitos foram identificados no inquérito, incluindo mandantes como o então secretário de Segurança Pública do DF, coronel Lauro Melchiades Rieth, e o delegado Ary Sardella. Apesar das condenações, a maioria cumpriu penas mínimas ou respondeu em liberdade, beneficiados por habeas corpus e arquivamentos. Rieth, que desafiou o jornalista a publicar sobre o esquadrão da morte, faleceu há anos, mas sua filha recebe R$ 35 mil mensais em pensão militar. Sardella, aos 88 anos, desfruta de mais de R$ 30 mil em remuneração, além de uma carreira pós-aposentadoria como instrutor de tiro e mestre em jiu-jítsu. Outros envolvidos, como Divino José de Matos, o executor, recebem aposentadorias como R$ 4,7 mil, totalizando mais de R$ 70 mil mensais dos cofres públicos. Essa realidade opina por si só sobre a falha do sistema judiciário em impor justiça plena, onde criminosos de Estado são premiados em vez de punidos, minando a confiança na accountability política.
Durante a ditadura, 25 jornalistas foram mortos ou desaparecidos, e centenas perseguidos, destacando um padrão de repressão que o Brasil ainda luta para superar. A ausência de respostas de instituições como a Polícia Civil e o Exército a questionamentos recentes reforça essa impunidade. Em uma era de transparência reivindicada, é opinativo afirmar que permitir pensões a tais figuras não só onera o contribuinte, mas perpetua uma herança ditatorial, urgindo reformas para que a verdade, bordão de Mário Eugênio, prevaleça sobre o esquecimento conveniente.