A Cúpula de Líderes da COP30, iniciada hoje em Belém sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, representa um momento pivotal para o Brasil afirmar sua liderança ambiental global, mas também expõe as fragilidades de uma agenda que depende excessivamente de promessas internacionais. Com o evento se estendendo até amanhã, antes das negociações principais até 21 de novembro, Lula busca definir o tom das discussões, priorizando o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), com meta de US$ 25 bilhões, dos quais o Brasil já aportou US$ 1 bilhão. No entanto, convencer nações ricas a aumentar o financiamento climático parece mais uma aspiração otimista do que uma realidade garantida, especialmente quando o histórico de compromissos não cumpridos pelas potências desenvolvidas mina a credibilidade dessas iniciativas. As reuniões bilaterais de ontem, no Museu Paraense Emílio Goeldi, com líderes como o presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, Sidi Ould Tah, e figuras como Ursula von der Leyen da Comissão Europeia, destacam a diplomacia ativa de Lula, mas revelam que o sucesso do TFFF dependerá menos de retórica e mais de ações concretas para preservar ecossistemas tropicais.
Enquanto os discursos na Zona Azul e as sessões temáticas sobre florestas, oceanos, transição energética e financiamento climático prometem avanços, o lançamento do TFFF durante o almoço oferecido por Lula aos líderes participantes surge como o ponto alto, com expectativas de US$ 10 bilhões até o fim do ano. É inegável que essa estratégia posiciona o Brasil como guardião das florestas tropicais, mas opiniões divergem sobre sua eficácia: para alguns, é uma oportunidade inovadora para países em desenvolvimento, como ressaltado por Lula em encontro com o presidente finlandês Alexander Stubb, que elogiou a preservação florestal; para outros, trata-se de uma medida paliativa que ignora as raízes econômicas da degradação ambiental. A presença de 53 líderes internacionais, incluindo Emmanuel Macron da França, reforça o prestígio da COP30, mas a “foto de família” e os compromissos políticos podem se dissipar sem mecanismos de accountability robustos.
Em paralelo, a decisão de Lula de participar da cúpula entre a Celac e a União Europeia na Colômbia, a partir de domingo, ganha contornos opinativos diante da escalada de tensões entre Estados Unidos e Venezuela, com ataques militares norte-americanos resultando em mais de 60 mortes e o envio de um porta-aviões ao Mar do Caribe. Essa movimentação, criticada por Lula e pelo presidente colombiano Gustavo Petro, que compartilhou um vídeo do brasileiro condenando invasões e violações de direitos humanos, sugere que a diplomacia climática brasileira não opera em vácuo, mas entrelaçada com instabilidades regionais. Embora a cúpula Celac-UE esteja esvaziada, com apenas 12 chefes de Estado confirmados para evitar atritos com Donald Trump, ela sublinha a necessidade de uma abordagem mais assertiva da América Latina contra intervenções externas, equilibrando ambições ambientais com soberania geopolítica.